Estamos em Março de 2020, isto é um facto inquestionável. Aqui estamos nós depois de mais de 3 meses ausentes em que não me apeteceu publicar coisa alguma. Agora que tenho tempo devido a férias forçadas por avaria no computador de trabalho, volto ao blog com fotos do ano passado no intuito de espairecer um bocado a cabeça enquanto aguardo por orçamento para arranjar a minha ferramenta de trabalho.

Diz-se que do velho se faz novo e podemos até fazer de conta que o sol que tem aparecido algumas vezes nas últimas semanas deu para fotos de t-shirt e sandálias, como se tal fosse possível. Mas interessa mesmo as fotos serem de agora? Acho que não, mas ficam aqui na mesma porque penso em repetir este conjunto quando o tempo assim o permitir.







Depois de um fim-de-semana passado fora, por Lisboa, veio uma fantástica gripe com picos de febre, dores no corpinho e todas as coisas a que se tem direito quando uma gripe ataque. Claro que entre falta de tempo e falta de vontade de me mexer o Advento de Domingo não saiu mas aqui estamos nós, três dias depois do "prazo", a ver se sai alguma coisa e vai sair mesmo.

O Advento de hoje vem em forma de introspecção numa época que é pautada por toda uma onda de boa disposição, excessos e euforia, ou pelo menos assim aparenta. A verdade é que o Natal não é uma altura fantástica e bonita para toda a gente. Falo do Natal como falo de qualquer celebração que aconteça nesta época do ano em que para além do apelo normalizado ao consumismo, temos acima de tudo uma carga emocional muito grande vinculada à época festiva, o que para algumas pessoas é um gatilho enorme no que diz respeito ao seu bem estar mental.

Se para alguns esta época relembra a perda de algum ou alguns entes-queridos, para outras pessoas é o facto do Natal despertar traumas passados. Ninguém reage nem deve reagir da mesma maneira aos acontecimentos que marcam a nossa vida e é assim que para muitas pessoas o Natal é uma altura desgastante, angustiante e que preferiam não ter de viver de todo.

Para outras pessoas é a ansiedade generalizada face ao que outros mostram e aparentam ser. Sim, porque numa época em que vivemos para as aparências e as fotos produzidos unicamente para mostrar o que nem sempre é a realidade, algumas pessoas encaram isso como uma espécie de falhanço que infelizmente desperta grande problemas a nível mental.

Não só temos estas vertentes como ainda temos toda a aposta de muita gente nas tradicionais indirectas face ao corpo dos outros. "Ah e tal, o Natal é tempo de excessos mas depois vais ter de queimar tudo!" Ora porra, vamos lá entrar nesta época com o peso do que ainda não comemos em mente, vamos já começar a criar uma bola de ansiedade crescente porque vamos ganhar 200gr a mais ou 2kg ou o que quer que seja. Já chega que na maioria não gostemos daquilo que vemos ao espelho, portanto ter outros a espicaçar este medo de comermos uma rabanadinha a mais é uma maneira certa de entramos logo de pé errado nesta época.

O Natal é uma época de coisas bonitas, decorações brilhantes, luzinhas e tanto mais. Para alguns é a vertente religiosa da data, para outros o espírito de união entre família ou amigos. Para muitos é uma época de stress, emoções fortes e uma tristeza imensa e jamais devemos pressionar essas pessoas a coadunar com as nossas visões sobre esta época do ano. 

Se adoram o Natal, boa! Celebrem, divirtam-se, festejam junto de quem mais gostam. Esta época vos causa desconforto emocional e psicológico, é válido e mais válido é dizerem aos outros que preferem manter-se de parte, salvaguardarem-se ou se preferirem pedirem ajuda para conseguir ultrapassar esta época com menos stress e menos medo.

Dia 8, feriado e mais um Domingo de Advento. Estamos cada vez mais perto do Natal e na verdade a maioria de nós, mesmo os mais ponderados já decoraram a árvore, a casa e qualquer espacinho onde o Natal faça sentido. Assim sendo e como para mim os gadgets são indispensáveis e fazem parte do dia-a-dia também os gosto de decorar e dar aquele toque Natalício.

Assim sendo o Advento de hoje traz quatro opções diferentes, desenhadas por mim, para decorarem smartphones, tablets e o ambiente de trabalho do vosso computador. 












Olá Dezembro, olá Advento! É verdade - mesmo que não pareça - 2019 vai ter mais um Advento aqui pelo blog, depois da longa pausa, depois de voltar com novo nome. Este ano vou replicar o formato de 2018 com Adventos apenas aos Domingos, começando hoje no 1º de Dezembro e percorrendo um total de 4 Domingos sendo o último a 22 de Dezembro.

O ano passado acredito que resultou bem, sem haver sobrecarga de publicações diárias, sem a pressão e trabalho que isso dava e para o qual tenho cada vez menos tempo e ideias. Para coisas diárias, por mais random que sejam vou-me ficar pelo Instagram, que espero honestamente que se pinte de tons de vermelho muito em breve, tal como adoro.

Começamos este primeiro Domingo de Advento com a playlist de Natal, em constante crescimento, na qual vou sempre adicionado música nova, dos clássicos e músicas e até covers menos conhecidas. Para a semana a surpresa bem em formato digital para vestir os vossos computadores, telemóveis e tablets.




Tenho cada vez mais uma grande apreciação por aromas, perfumes e fragrâncias. Não sei se tal se deve à idade, ao conhecer coisas novas ou ao facto de adorar cozinhar e haver uma envolvência enorme de aromas nessa área. Talvez seja um pouco de tudo, afinal o que gostamos advém de todas as experiências que vamos vivenciado e um acumular de factores, tão simples quanto isso.

Quem não conhece Jo Malone? A verdade é que a famosa marca, criada na década de 90, acabou por ser vendida à gigante Estée Lauder, mas Jo Malone, a sua criadora acabou por criar a Jo Loves e é essa mesma marca que chega agora com uma colaboração com a famosa Zara, numa coleção denominada Zara Emotions.

São 8 fragrâncias, todas elas eau de parfum, que evocam emoções e momentos da vida de Jo Malone. Os aromas são simples na composição mas com a particularidade, já usual nas criações de Malone, de serem combináveis entre si e ainda serem todas elas unissexo.


So many happy memories of summer, Italian Riviera holidays. - Amalfi Sunray

Entre todos os aromas disponíveis para mim destacam-se o nº04 Amalfi Sunray  (todas as frangrâncias são numeradas) com bergamota, tangerina e flor de laranjeira, e ainda a nº06 Fleur d'Oranger com flor de laranja, neroli e ilague-ilangue.

Disponíveis em frascos de 90ml, 40ml e o prático roll-on de 10ml os preços situam-se entre os 5,95€ e os 25,95€. A Zara tem ainda um discovery set com 8 amostras de 4ml cada de todos os perfumes ou a caixa de coleccionador com as os 8 frascos de 40ml. A colecção está disponível online e apenas em algumas lojas físicas.



Royal and regal moments should always be celebrated with orange flowers. - Fleur d'Oranger

Eu apostei num roll-on de 10ml para experimentar. Sem conhecer o aroma ao vivo torna-se complicado investir num frasco maior e assim sendo mal tenha mais novidades voltarei com uma review do escolhido.



Pensei se escreveria sobre isto ou não, afinal é um tema muito recente, muito controverso e que talvez vá cair extremamente fora daquilo que é esperado de um blog, ou pelo menos deste blog. Porém é por isso mesmo que decidi escrever na mesma, porque mentalizei-me que escrevo para me agradar a mim primeiro, sem esperar que alguém dê muita importância a isto mas esperando igualmente que alguém queira ter uma conversa sobre o tema.

Venho falar sobre o caso do bebé deixado num eco-ponto do plástico, há pouco dias atrás, e encontrado por um sem-abrigo que por acaso reparou no som vindo de dentro daquele local. Sabe-se agora que a pessoa que deixou ali a criança é uma mulher cabo-verdiana de 22 anos, também ela sem-abrigo. A nacionalidade dela nada tem que ver com a questão, mas o facto de sabermos a sua idade e condição social poderá ajudar em muito a entender, não obrigatoriamente aceitar, o seu acto.

Quando a notícia apareceu li comentários atrás de comentários de pessoas chocadas, com julgamentos enormes sobre o acto condenável. Eu própria, sem falar e sem querer condenar, fiquei chocada com o facto de se ter descartado assim um recém-nascido num local tão pouco apropriado. Não que haja locais apropriados para se descartar uma criança, mas aquele pareceu-me absolutamente horrendo.

Claro que o choque é normal, é humano. O que me incomodou foram as pessoas que começaram a "escrever cartas" nas redes sociais na voz do pequeno menino, como se o mesmo falasse com a sua mãe, o seu pai e quem ali o deixou. Ninguém tem o direito de falar na voz de outros, por mais pequeno que alguém seja. Ninguém, sem saber, tem o direito de apontar directamente o dedo à mãe biológica. Li, e com razão, que apesar de ter ainda o cordão umbilical e estar ensanguentado do parto, ninguém podia afirmar que tinha sido a progenitora a deixar a criança ali. Porém, na sociedade em que vivemos partimos logo do princípio que fosse, mesmo sem saber.

A maioria destas pessoas, que condenaram esta mulher - agora sabemos que foi realmente ela que deixou a criança num contentor - são as mesmas pessoas que são contra o aborto. Eu, na minha cabecinha, acredito que o aborto podia ter salvaguardado esta situação mas infelizmente, nos dias que correm, o estigma e a vergonha das mulheres ainda é muita porque ao seu redor há demasiados velhos do Restelo prontinhos a esticar o dedo.

Outra coisa que muita gente não entende é que a gravidez não é linda, maravilhosa e que mal nasce uma criança uma mulher vira mãe e fica com os olhos a brilhar de amor. O puerpério é um momento terrível do pós-parto na vida de uma mulher, é aquilo que muitas vezes conduz à temível depressão pós-parto, há não aceitação imediata da criança que nasceu. Muitas mulheres, agora mães que adoram os seus filhos, passaram por isto. O corpo da mulher sofre transformações enormes nesta fase, tanto a nível físico como especialmente a nível psicológico, e as hormonas a tentarem ajustar-se ao facto de já não haver um bebé no corpo, começam uma revolução que leva uma pessoa a correr todos os estados psicológicos e emocionais que possam existir.

Assim sendo, conhecendo um pouco da realidade, obriguei-me a parar e pensar que ninguém entende o sofrimento pelo qual esta mulher pode ter passado e que talvez tenha cometido aquele acto de forma não totalmente consciente, ou até mesmo num pico de ansiedade e transtorno psicológico enorme.  Antigamente havia "a roda" onde se deixavam bebés indesejados, a maioria nascidos de meninas "do bem" fora do casamento, ou de famílias muito pobres, numa altura em que não havia acesso à contracepção.

Nos Estados Unidos, em alguns estados, existe um programa chamado Safe Heaven, em que uma pessoa pode deixar uma criança num hospital ou num local específico, virar costas e partir para a sua vida, sem precisar de dar nomes, justificações ou o que quer que seja. Isto salva vidas, quer de quem nasce, quer de quem a teve. Em Portugal muitos dizem que a mãe o podia ter dado para a adopção mas para isso ela teria de dar os seus dados, e sabendo o que se sabe hoje, provavelmente a mulher poderá nem estar legalizada e uma simples "doação" para a adopção acabaria com mais tramites legais e burocracias do que aquilo que seria esperado. 

Muita gente falou de onde estaria a mãe daquele criança, e o pai também. Falaram sem saber a dizer que aquela criança precisava do colinho, quentinho e a amor. Sabemos agora que nem a mulher tem isso, nem colo, nem quente, nem amor. O pai? Não se sabe. Pode ter sido uma relação infeliz, pode ter sido abuso, pode ter sido descuido, pode até ter sido prostituição. O pior é que a maioria das pessoas, com acesso à internet nos dias que correm, sentem-se no direito de vociferar atrocidades e julgamentos sem dados nem provas.

Não acredito que tenha sido correto deixar um recém-nascido assim num contentor de reciclagem, mas sei que não sei o que aquela mulher sentiu. O pânico, o medo, talvez nem sentiu afectividade com aquele ser que saiu de dentro dela. O ser mãe não se faz numa gravidez, mas ninguém tem o direito de julgar assim uma pessoa.

Infelizmente ainda há um grande estigma em torno das fases menos boas da gravidez, dos acessos de depressão que uma mulher sente muitas vezes durante longos meses após o parto. Ainda há um estigma de que não se pode falar das coisas menos boas de se fazer nascer uma criança e assim se vê o estado de um povo que parte logo a apontar dedos sem pisar o mesmo caminho que aquela pessoa pisou. 

A contracepção nem sempre funciona, mesmo quando se usa tudo e mais alguma coisa. Por vezes há descuidos e ninguém tem de mudar a sua vida para ter uma criança, quando muitas vezes nem sequer é possível. A ideia de que "tudo se cria" faz-me comichão, faz-me porque nos dias que correm dizer que tudo se cria não implica os custos de ter um filho, de o alimentar, vestir, manter, dar uma casa, educação. A ideia de que "só os faz quem quer" também me incomoda. Parece que todas as crianças nascidas neste mundo foram cuidadosamente planeadas, desejadas e que uma pessoa as fez em plena consciência da concepção. 

As coisas acontecem mas é o estigma e o julgamento que por vezes levam as pessoas a cometer atrocidades, a agir sem pensar, sem esperar. Julgar é humano mas parar para pensar também e talvez pensar que "e se fossemos nós, como seria?".



Dei de caras com este post nos rascunhos e deitei as mãos à cabeça ao perceber que não vos tinha falado deste espaço numa zona realmente nobre da Ribeira, bem junto à Ponte D.Luíz. Foi já ali por volta de Março ou Abril que fui conhecer o Terra Nova a convite da Zomato e claro está, apesar da experiência mais condicionada pelo facto de ser um convite, trago-vos todas as minhas opiniões mais sinceras.







Pequenino mas acolhedor será provavelmente a melhor maneira de caracterizar o Terra Nova, um restaurante que prima pelos seus pratos de mar, com bacalhau e marisco. A ementa é pequena mas aquilo que fazem, fazem-no realmente bem.

A experiência começou logo bem com uma aula rápida de massa fresca pelas mãos do Chef Rafael Gomes, que é o responsável por toda a carta do restaurante.

A chefe de sala é uma autêntica querida, quase como uma avó acolhedora e sentimo-nos imediatamente em casa.

Começamos com umas belas pataniscas (a minha perdição), bolinhos de bacalhau e um tártaro de bacalhau e ostras.

Isto foram apenas uns petiscos e não as entradas uma vez que essas seriam servidas no andar de cima, na mesa do capitão.



Ostras de Aveiro, presunto de pato, sardinha com broa e pimento, camarões flamejados e um Bacalhau à Brás delicioso de tão macio que era. Claro que havia ainda pão e manteiga aromatizada mas de facto tenho de apontar como favoritos a sardinha com broa, reminescente das festas dos Santos Populares e ainda o Bacalhau à Brás.






O prato principal foi nada menos que uma massada de bacalhau preparada com massa fresca - a tal que fizemos no início - e lascas de bacalhau, um molho amanteigado e tomate. É um prato leve mas robusto ao mesmo tempo, tem a sua complexidade e o linguini fresco consegue mesmo destacar-se juntamente com o bacalhau cozinhado lentamente e na perfeição.

O restaurante sabia antecipadamente da minha intolerância à lactose e preparam um prato igual ao de toda à gente mas com o cuidado de não incluir a manteiga ou qualquer outro lacticínio e nem assim deixou de ser um prato fantástico.

A sobremesa foi um leite creme com gelado de framboesa e para mim, devido à minha intolerância - mesmo que tenha ficado a babar pelo leite creme - um prato de frutas com uma apresentação tão cuidada que a fruta soube a doce dos deuses!

Terra Nova Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Terra Nova
Cais da Ribeira 34
Porto







Joana, 29 anos e natural da cidade do Porto. Sou uma fotógrafa de profissão, louca por viagens e sempre com demasiadas opiniões para dar. Este é o meu blog no qual escrevo desde 2009 e ele já mudou tanto quanto eu mudei ao longo destes últimos, quase, 10 anos.